Descobri hoje que saiu pela excelente coleção Povos e Civilizações da editora Contexto
o livro Os Alemães. Esta coleção, de forma muito lúdica, abrangente mesmo
concisa e envolvente, dá ao leitor um panorama sobre os povos retratados. Além
disso, os livros são escritos por brasileiros que vivem ou viveram por um bom
tempo nesses países (salvo Os Espanhóis, escrito por um espanhol que mora no
Brasil há muito tempo) e têm certa autoridade para discorrer. Opinião pessoal
minha, dos dezoito livros já lançados (convenhamos, é pouco, que venham mais!),
os melhores versam sobre os iranianos, os russos, os indianos e os ingleses.
Chegou agora a vez dos alemães, que promete ser bom como os outros e me chama a
atenção mais afetivamente.
Quem me conhece sabe que meu Pullig é de origem alemã. Meu
bisavô Heinrich, um dia, achou que seria melhor largar a Europa e se embrenhar
pelas Minas Gerais e graças a isso, cá estou eu. Há uma partícula goethiana na
minha pessoa (algumas marxistas vieram depois). Enfim, tenho um pedaço de
einsbein nessa feijoada que sou. Brincadeiras à parte, minha ascendência alemã
nunca foi motivo de orgulho nem de caças genealógicas como tantos netos,
bisnetos e tataranetos de italianos fazem se acotovelando no Consulado na
Paulista. Deixo esse pequeno teutônico quieto em algum canto, pois quando o
deixei me convencer a querer falar alemão (eu tinha uns oitos anos), a primeira
palavra com mais de dez letras, um β
(que no alemão equivale ao nosso “ss”) no meio eu desisti. Parei na primeira
palavra da apostila: Güten Tag. Bom dia. Estava de bom tamanho.
De lá pra cá muito se passou, a cultura alemã, ao lado de
tantas outras, tomou de assalto seja em literatura (olha o Goethe de novo), em
Filosofia (Marx, Nietzsche, Hegel, Kant e aí vai), em qualquer aspecto cultural
válido e mesmo na Geografia (olá, Herr Humboldt!) que me deu diploma e os
primeiros reais, a Alemanha cruzou meu caminho. Inclusive no famigerado 7 a 1.
Acidente de percurso. Ter gosto por culturas e leituras me fez ver a Alemanha muito
além de Hitler (que nem era alemão aquele bacilo) e do nazismo criado por ele e
aceito. Ora, que país não tem em sua história uma mácula, um mau líder, um
Menudo pra se envergonhar?
Há de ser um bom livro esse. Quero muito pôr as mãos nele e
devorá-lo. Retornar às origens é exagero. A Alemanha, como “pátria-mãe” pouco
me diz. Só espero, de verdade, que nessas leituras e em outras conexas, o pequeno
teutônico que um dia me convenceu criança a querer aprender alemão não venha
com graças. E se vier, que tenha a sensibilidade de explicar que o idioma é
dificílimo, metálico, feio (perdão, mas como latinófono, TODA língua derivada
do Lácio é poética. Até romeno, que nunca ouvi) e que não me dê sanhas de
querer ler Schopenhauer no original. No fim das contas, quero apenas um livro
pra ler. Idioma novo pra falar fica pra depois.
Francisco Libânio PULLIG,
14/01/19, 8:26 PM